Jujuy- SAN Pedro do Atacama
E vamos nos de novo. E hoje é dia de subida
A saída do hotel de Jujuy é difícil. Isso porque o estacionamento era muito pequeno e estava cheio. Então as 8:10 os aventureiros partem para mais uma etapa. A temperatura é de agradáveis 15 graus em uma altitude de 1260 metros ( 4120 ft). A saída tem mais um contratempo. Como nem as motos nem o pace car estavam abastecidos, tinha que achar um posto. O GPS indicava apenas um posto antes iniciar a subida. Assim, na dúvida se esse posto estaria aberto ou não, voltamos a cidade por um caminho que tinha estrada de terra e curvas apertadas. Era como um aquecimento do que estava por vir. Depois de todos abastecidos, voltamos para a estrada, praticamente uma hora depois do planejado inicialmente.
Com poucos quilômetros a estrada começa a subir. É um caracol ladeira a cima com uma vista realmente impressionante. Muitas montanhas e uma variação de cores inacreditável. Os motociclistas vão se divertindo na sinuosa subida. Quem sofre bastante é o pace car que tem uma pane que leva a perda de potência justamente em uma subida onde a potência já seria perdida naturalmente. E por falar em subida, lembra aquela altitude e confortável temperatura da saída? Pois agora o cenário já é bem diferente. Em uma altitude que chegou no seu pico a 4790 metros ( 15715 ft) a temperatura nessa altitude era de 1 grau e para deixar tudo mais divertido os ventos de 50 a 60 km/ h completavam a diversão.
Então começa o que parece ser a descida. O visual vai mudando, o formato das montanhas também. Então aparece uma gigantesca reta cercada de sal por ambos os lados. Outro visual impressionante, outra mudança de temperatura que nessa hora está na casa dos 10 graus porém com aquele vento que insiste em não abandonar os bravos motociclistas. Isso em uma altitude 3900 metros ( 12795ft) E então quando parece que as emoções estão perto de acabar, eis que surge outra subida com outro visual deslumbrante e curvas intermináveis. É como ter outra cordilheira dentro da cordilheira.
E nessa belíssima estrada a temperatura volta novamente a 1 grau com a altitude chegando a impressionantes 5000 metros (16404 ft). Essa estrada segue até passo de Jama, fronteira entre a Argentina e Chile. Chegamos a fronteira por volta das 14:30 entretanto estava fechada e com previsão de abertura para as 16:00 e com uma longa fila já esperando pela abertura. A lembrança da imigração chilena era de ser demorada, burocrática e incompentente. Continua igual. Talvez tenha até piorado. É um tal de trâmite 1, papelito, carimbo aqui e ali em uma verdadeira gincana que termina após o carro ser inspecionado pela agricultura e liberado de seguir viagem.
Depois deste processo, que verdade seja dita foi burocrático como sempre mas não tanto demorado, voltamos para a estrada. 156 km nos separam de SAN Pedro do Atacama. Fazendo um cálculo simples, como estamos a 4200 metros e Atacama está a 3160 metros, a partir daqui deve ser ladeira abaixo certo? Errado!! A estrada volta a subir. Inúmeros vulcões fazem parte da paisagem. Depois de mais algumas curvas e mais subida a estrada finalmente começa descer.
Faltam apenas 40 km para o Atacama e a descida é de aproximadamente 1000 metros ( 3000 ft). Descer tanto em tão pouca quilometragem exige longas retas com eventuais curvas. E um fim de tarde com mais paisagens deslumbrantes. Depois de 506 km de muitos cenários, curvas e emoções chegamos a SAN Pedro do Atacama.
Um experiente motociclista do nosso grupo descreveu a travessia como a mais impressionante que ele já presenciou. Somente este relato já é possível ver a grandeza da travessia. Agora são 2 dias de descanso e passeios pelo Atacama e domingo a Saga continua, rumo ao pacífico na cidade litorânea de Antofagasta.
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